Atual Capela de Santa Cruz
A história religiosa de Carira inicia-se com a construção da 1ª capelinha, por João Martinho, cujo local escolhido por ele fora próximo á cova da índia mãe Carira onde ele havia posto uma cruz e esta se tornou a padroeira daquela casinha de oração.
Busto de Mãe Carira
Em 1910, houve a 1ª Santa Missão em Carira pregada por um frade capuchinho italiano, Frei José. Foi ele quem motivou o povo do lugar a ampliar a sua capela. Foram feitas várias procissões de penitencias com fiéis carregando pedras sobre a cabeça até a capela.
A inauguração da ampliação e da reforma da capela foi em 1914, quando da visita pastoral do 1º Bispo de Aracaju Dom José Thomaz Gomes da Silva, Carira era uma capela filial da Paróquia de Frei Paulo.
Em setembro de 1947, era vigário de Frei Paulo, o Pe. Luiz Gonzaga Passos. Foi ele quem deu inicio à construção da atual igreja-matriz, preparando Carira para, num futuro ainda distante, ser uma Paróquia independente da Paróquia de Frei Paulo.
Aos 12 de outubro de 1949, Dom Fernando Gomes, 2º Bispo de Aracaju, fez sua primeira visita pastoral a Carira e, nessa ocasião, foi inaugurada uma parte da atual igreja-matriz, ainda em construção, dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. A velha capelinha construída pelo vaqueiro João Martinho de Souza e onde estava sepultada a índia Mãe Carira, infelizmente fora demolida semanas antes.
Aos 02 de setembro 1956, Dom Fernando voltou a Carira na segunda visita pastoral. Naquela ocasião foi inaugurada a torre da igreja. Era vigário de Frei Paulo o Pe. João Lima Feitosa.
Com a morte dos mais velhos moradores do povoado, que festejavam a Santa Cruz todos os anos no dia 03 de Maio, sua festa foi ficando aos poucos esquecida, pois os descendentes dos antigos não assumiram a tradição de seus pais. A nova igreja com novo titular – Coração de Jesus – e a demolição da velha capelinha contribuíram mais ainda para o esfriamento da festa e da devoção à Santa Cruz. Havia apenas a vaga lembrança das grandes festas que no passado os antigos faziam à Santa Cruz.
Aos 25 de Março de 1962, por decreto de Dom José Vicente Távora, Terceiro bispo e primeiro arcebispo de Aracaju, foi criada a Paróquia de Carira e seu 1º Vigário foi o Padre Almiro Oliva Alves, que aqui ficou até agosto de 1972. A nova Paróquia teve como seu principal e único padroeiro o “Sagrado Coração de Jesus”, que era o titular da nova igreja, agora matriz.
De agosto de 1972 a agosto de 1976, a Paróquia de Carira ficou sob os cuidados do Vigário de Frei Paulo, Pe. João Lima Feitosa, até que no dia 23 de agosto de 1976 tomou posse como vigário de Carira o Padre Raul Bonfim Borges. Amante de pesquisas históricas, Pe. Raul procurou conhecer o passado do município em todo o sentido sócio-politico-religioso. E percebeu que ainda havia no fundo do coração de seus paroquianos um certo sentimento pela Santa Cruz.
Na Semana Santa do ano de 1977, ele lançou ao povo a idéia de se restaurar a devoção e a festa da Santa Cruz. O que foi muito bem aceito. E já naquele mesmo ano, no mês de maio, foi celebrada com certa solenidade, a festa da Santa Cruz, precedida por um novenário. A festa do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro oficial, que já acontecia no 4º domingo de Novembro, dia de Cristo Rei, continuou acontecendo como de costume. Assim, a Paróquia de Carira passava a ter duas festas de padroeiro por ano.
Na festa de Santa Cruz do ano de 1978, após o evangelho da Missa Solene, foi lido o decreto do Sr. Bispo auxiliar e vigário Geral da Arquidiocese, Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB, pelo qual a Santa Cruz passava a ser a Padroeira Principal de Carira, sendo-lhe o Sagrado Coração de Jesus, segundo padroeiro. O decreto fora assinado aos 28 de abril daquele ano, após todas as informações e dados de ordem e fundo histórico, por escrito apresentados ao Sr Arcebispo Metropolitano Dom Luciano José Cabral Duarte, pelo vigário Raul Bonfim Borges.
No ano de 1984, um dia após a festa da Santa Cruz, o pároco reuniu o Conselho paroquial para uma avaliação das festas da padroeira realizadas desde 1977 até então.
Foi observado que, mesmo sendo restaurada a festa da Santa Cruz, ainda não fora possível despertar o interesse e entusiasmo na maioria dos fieis por ela. Duas festas de padroeiros com diferença de seis meses de uma para outra (maio e novembro), estava sendo desgastante para todos. Sobretudo nos anos de seca. Carira esta encravada numa região pobre e sujeita a longas estiagens. De 1977 até aquele ano de 1984, houve um bom inverno apenas em dois anos; 1981 e 1982. E mais outra consideração: Maio, quando há bom inverno, é um mês de muita chuva, e o povo esta ou plantando ou cuidando de suas lavouras. Tanto assim é que, embora a festa do Coração de Jesus, liturgicamente, seja em junho, aqui sempre se comemorou em novembro.
Diante daquelas considerações, resolveram unir a festa da Santa Cruz à do Sagrado Coração de Jesus, em novembro. A devoção ao Coração de Jesus sempre esteve enraizada na piedade do povo, sobretudo porque nunca deixou de existir na paróquia o Apostolado da Oração que, de certo modo, alimenta a devoção ao Sagrado Coração. E tanto o Coração, como a Cruz, ambos são de Jesus que é Rei. A partir de 1985, a Santa Cruz começou a ser comemorada juntamente com o Sagrado Coração de Jesus, numa só festa, no dia de Cristo rei.
Desde a construção da 1ª capelinha até os dias atuais muitos padres e pessoas desta comunidade deixaram sua marca, construindo a história religiosa desta Paróquia.
O ano jubilar é uma oportunidade indispensável para olhar para trás e constatar que Deus está à frente da história – da nossa história.
por Jorge Santynny
Fonte: Pe. Raul Bonfim Borges





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